{"id":859,"date":"2010-05-12T14:32:36","date_gmt":"2010-05-12T14:32:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vidaecarreira.com.br\/?p=859"},"modified":"2010-05-12T14:32:36","modified_gmt":"2010-05-12T14:32:36","slug":"ninguem-nos-ensina-a-envelhecer-mercado-de-trabalho-e-senioridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/2010\/05\/12\/ninguem-nos-ensina-a-envelhecer-mercado-de-trabalho-e-senioridade\/","title":{"rendered":"Ningu\u00e9m nos ensina a envelhecer. Mercado de trabalho e Senioridade"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\">*\u00a0<em>Adriana Gomes<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">Talvez por isso o medo da senioridade. As sociedades pr\u00e9-capitalistas orientavam-se essencialmente para o passado e essa orienta\u00e7\u00e3o de certa forma, garantia uma relativa estabilidade dos usos e costumes assimilados e que mantinham de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Agnes Heller*, afirma que: \u201cos filhos imitavam os pais, os netos imitavam os av\u00f3s. Os velhos eram os que melhor conheciam as experi\u00eancias do passado e os mais capazes de resumi-los de modo \u00fatil.\u201d<br \/>\nEntretanto nossa sociedade, orientada para o futuro, traz a possibilidade de produ\u00e7\u00e3o indefinida e produz no homem a necessidade de modificar-se permanentemente, de renovar-se e transformar-se. Essa necessidade de novidade, a necessidade de transformarmos constantemente tanto a sociedade, quanto a n\u00f3s mesmos, \u00e9 uma das maiores conquistas da hist\u00f3ria humana. Por\u00e9m com a crescente aliena\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m essa conquista converte-se em seu contr\u00e1rio. A orienta\u00e7\u00e3o para o futuro termina por transforma-se em moda e conseq\u00fcentemente o velho perde seu valor de refer\u00eancia.<br \/>\nA vida nos consome com a constante necessidade de atualiza\u00e7\u00e3o e os di\u00e1rios \u201cdeliverys\u201d e n\u00e3o raro as pessoas s\u00e3o pegas de surpresa, quando s\u00e3o solicitadas a fazer as contas sobre quanto tempo est\u00e3o na mesma empresa ou num determinado relacionamento ou mesmo quando contabilizam o tempo de formadas.<br \/>\nS\u00e3o surpreendidas, quando num dia qualquer, sem nenhum aviso ou at\u00e9 negando os pequenos sinais do tempo, come\u00e7am a notar alguma dificuldade para fazer a sua leitura semanal. A vis\u00e3o dando os primeiros sinais de cansa\u00e7o. Geralmente negado, desculpe o trocadilho, \u00e0 primeira vista.<br \/>\nQuando n\u00e3o \u00e9 isso, acontece como mencionado por um colega, prestando consultoria para a \u00e1rea comercial de uma grande multinacional e o jovem trainee, ap\u00f3s ser questionado sobre os diversos procedimentos que deveria ter feito, reponde a ele: \u201cEu tenho relat\u00f3rios aqui. Isso se fazia no seu tempo. Hoje n\u00e3o \u00e9 mais assim!\u201d<br \/>\nPraticamente um \u201cKnock out\u201d na auto-estima e uma parada necess\u00e1ria para pensar que o tempo passou, mesmo, e agora como agir diante dessa situa\u00e7\u00e3o que, fatalmente, se tornar\u00e1 mais freq\u00fcente.<br \/>\nSomos \u201cadestrados\u201d desde pequenos que devemos ingressar no mundo do trabalho. Para isso h\u00e1 um longo condicionamento que come\u00e7a com os primeiros anos da escola, acordar cedo, assumir responsabilidades com hor\u00e1rios e prazos de entrega. Somos induzidos a acreditar que se fizermos \u201ctudo direitinho\u201d, o futuro nos brindar\u00e1 com uma carreira bem sucedida e que teremos uma velhice tranq\u00fcila e digna.<br \/>\nBem, a hist\u00f3ria nem sempre tem essa bela trajet\u00f3ria. N\u00e3o falarei da trajet\u00f3ria hoje, apenas do final dela. Mesmo que tenha sido assim, bonita e bem sucedida, o per\u00edodo de desligamento, a aposentadoria, o per\u00edodo de n\u00e3o trabalho a dispensa remunerada do trabalho, regulamentada por lei, e concedida por idade, tempo de servi\u00e7o ou invalidez \u00e9 um per\u00edodo complexo e delicado, para o qual n\u00e3o h\u00e1 preparo.<br \/>\nAs pessoas ser\u00e3o obrigadas, na maioria das vezes, a lidar solitariamente com as fortes emo\u00e7\u00f5es que esse per\u00edodo tr\u00e1s, como a ang\u00fastia, a solid\u00e3o, a falta de sentido e prop\u00f3sito de vida, a exclus\u00e3o social e o sentimento de inutilidade.<br \/>\nSegundo nossa pesquisa, realizada com 222 pessoas no per\u00edodo de Janeiro a Mar\u00e7o de 2010,<\/p>\n<div align=\"justify\">\n<table width=\"456\" border=\"0\" cellspacing=\"3\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#FFE6CC\">\n<div align=\"center\"><strong>O que voc\u00ea pretende fazer a partir da sua aposentadoria?<\/strong><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#D7EFFF\" width=\"323\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#D7EFFF\" width=\"124\">\n<p align=\"center\"><strong>Response Percent<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" bgcolor=\"#FFFAF4\" width=\"323\">\n<p align=\"center\">Ter um neg\u00f3cio pr\u00f3prio.<\/p>\n<\/td>\n<td nowrap=\"nowrap\" bgcolor=\"#D7EFFF\">\n<p align=\"center\">35,7%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" bgcolor=\"#CAEAFF\" width=\"323\">\n<p align=\"center\"><strong>Viajar e conhecer o mundo.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td nowrap=\"nowrap\" bgcolor=\"#CAEAFF\">\n<p align=\"center\"><strong>47,4%<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" bgcolor=\"#FFFAF4\" width=\"323\">\n<p align=\"center\">Adquirir uma franquia.<\/p>\n<\/td>\n<td nowrap=\"nowrap\" bgcolor=\"#D7EFFF\">\n<p align=\"center\">6,6%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" bgcolor=\"#FFFAF4\" width=\"323\">\n<p align=\"center\">Viver na praia ou no campo.<\/p>\n<\/td>\n<td nowrap=\"nowrap\" bgcolor=\"#D7EFFF\">\n<p align=\"center\">24,0%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" bgcolor=\"#FFFAF4\" width=\"323\">\n<p align=\"center\">Continuar a vida sem maiores mudan\u00e7as.<\/p>\n<\/td>\n<td nowrap=\"nowrap\" bgcolor=\"#D7EFFF\">\n<p align=\"center\">23,5%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" bgcolor=\"#FFFAF4\" width=\"323\">\n<p align=\"center\">Estudar no exterior por prazer.<\/p>\n<\/td>\n<td nowrap=\"nowrap\" bgcolor=\"#D7EFFF\">\n<p align=\"center\">7,7%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" bgcolor=\"#FFFAF4\" width=\"323\">\n<p align=\"center\">Curtir meus hobbies.<\/p>\n<\/td>\n<td nowrap=\"nowrap\" bgcolor=\"#D7EFFF\">\n<p align=\"center\">37,8%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" bgcolor=\"#FFFAF4\" width=\"323\">\n<p align=\"center\">Fazer cursos diversos.<\/p>\n<\/td>\n<td nowrap=\"nowrap\" bgcolor=\"#D7EFFF\">\n<p align=\"center\">33,7%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"right\">\u00a0Fonte: site Vida e Carreira www.vidaecarreira.com.br<\/p>\n<p align=\"justify\">Os \u00edndices s\u00e3o interessantes. Como a m\u00e9dia de idade dos respondentes est\u00e1 entre os 18 e os 40 anos \u00a0at\u00e9 30 anos (27,1%) e de de 31 a 40 anos (29,4%), ainda retrata uma fase jovem da vida profissional. Os sonhos de aposentadoria retratam o desejo de viajar e conhecer o mundo em primeiro lugar (47%), curtir hobbies (37,8%) e em seguida o desejo de n\u00e3o para de trabalhar, ou seja, montar neg\u00f3cio pr\u00f3prio (35,7%).<br \/>\nA realidade \u00e9 que segundo o IPEA, mais de 30% dos aposentados ainda trabalha. Seis em cada dez fam\u00edlias s\u00e3o sustentadas pelos aposentados e como se n\u00e3o bastassem sustentar familiares que est\u00e3o em idade economicamente ativa, ainda concorrem no mercado de trabalho com jovens e adultos que tamb\u00e9m sofrem com o alto \u00edndice de desemprego.<br \/>\nO brasileiro est\u00e1 vivendo mais e melhor, com mais qualidade de vida. Aos 65 anos ainda \u00e9 saud\u00e1vel e capaz para o desempenho profissional. Por\u00e9m, o preconceito e a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas e organizacionais cuidam de minar o processo de desenvolvimento profissional. O trabalho \u201cclandestino\u201d \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o para que esse contingente populacional sobreviva dignamente emocional e fisicamente.<br \/>\nO trabalho constitui o homem. Passamos mais tempo na rela\u00e7\u00e3o de trabalho do que em qualquer outra rela\u00e7\u00e3o. Crescemos ouvindo que \u00e9 preciso trabalhar. Mas o que se faz quando ainda com sa\u00fade f\u00edsica e mental, \u00e9 suprimido o direito de trabalhar?<br \/>\nO que fazer, quando ainda h\u00e1 vontade de contribuir socialmente atrav\u00e9s do trabalho? N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de fazer um trabalho volunt\u00e1rio, mas a remunera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um est\u00edmulo, sen\u00e3o, em muitos casos, uma necessidade.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 um caso simples de se resolver, entretanto, em breve n\u00e3o seremos mais um pais de jovens, a nossa pir\u00e2mide et\u00e1ria est\u00e1 diferente de 30 anos atr\u00e1s e isso faz com que precisemos pensar sobre essa quest\u00e3o hoje. \u00a0\u00c9 uma miopia social tratar a pessoa de idade como um inv\u00e1lido incapaz, como se o seu conhecimento acumulado fosse desprez\u00edvel.<br \/>\nEstima-se que, apenas entre 1980 e 2000, deixaram de nascer, aproximadamente, 35 milh\u00f5es de crian\u00e7as no Brasil. Pelo menos outros 35 milh\u00f5es nasceriam entre 2000 e 2010, se os n\u00edveis de fecundidade de 1980 tivessem permanecido constantes desde ent\u00e3o. Por sua vez, o contingente de idosos brasileiros, aqui entendido como a popula\u00e7\u00e3o acima de 65 anos, aumentou em torno de 3,7 milh\u00f5es entre 1980 e 2000.<br \/>\nH\u00e1 muito que fazer. Aos profissionais voltados \u00e0s \u00e1reas de RH nas organiza\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m aos orientadores de carreira e mesmo aos profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um grande mercado abrindo as portas. Aqueles que tiverem vis\u00e3o e perceberem as possibilidades e oportunidades relacionadas que se preparem, pois h\u00e1 muito por ser feito junto aos profissionais seniores.<br \/>\nUm abra\u00e7o,<br \/>\n*\u00a0<strong>Adriana Gomes:\u00a0<em>Mestre em Psicologia\u00a0<\/em><\/strong><em>\u2013 UNIMARCO, p\u00f3s-graduada em Psicologia Cl\u00ednica, Psic\u00f3loga, (CRP 30.133), Coach certificada pela Lambent do Brasil e\u00a0reconhecida pela ICC &#8211; International Coaching Community<\/em>.<em>\u00a0Carreira de 20 anos nas \u00e1reas organizacional e cl\u00ednica (Psicoterapia, Orienta\u00e7\u00e3o de Carreira).\u00a0<\/em>\u00a0<em>Ex-vice-presidente do Grupo Catho, empresa onde atuou com Executive Search e Outplacement atendendo empresas nacionais e multinacionais de grande porte.\u00a0Professora do curso de p\u00f3s- gradua\u00e7\u00e3o da ESPM na Cadeira de Gest\u00e3o de Pessoas,\u00a0 atuou como Professora do Instituto Pieron de Psicologia Aplicada no curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Orienta\u00e7\u00e3o Profissional.\u00a0Orientadora de Carreira\u00a0para alunos do curso de MBA da ESPM,\u00a0membro da ABOP \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Orientadores Profissionais, Autora do Livro Mudan\u00e7a de Carreira e Transforma\u00e7\u00e3o da Identidade,\u00a0 palestrante e Diretora do site\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">www.vidaecarreira.com.br<\/span><\/em><strong><em>Contatos:<\/em><\/strong><a href=\"mailto:adrianagomes@vidaecarreira.com.br\">adrianagomes@vidaecarreira.com.br<\/a><br \/>\nBibliografia:<\/p>\n<div align=\"justify\">\n<ul>\n<ul>\n<li>Gomes, Adriana _ Mudan\u00e7a de Carreira e transforma\u00e7\u00e3o da Identidade. S\u00e3o Paulo, LCTE 2009<\/li>\n<li>Heller, Agnes\u00a0 _ O cotidiano e a Hist\u00f3ria 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o . S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 2000<\/li>\n<li>Moreira, Morvan de Mello _ Mudan\u00e7as Estruturais na Distribui\u00e7\u00e3o Et\u00e1ria Brasileira 1950-2050,<a href=\"http:\/\/www.fundaj.gov.br\/tpd\/117a.html#fn1\">http:\/\/www.fundaj.gov.br\/tpd\/117a.html#fn1<\/a><\/li>\n<li>Pesquisa: Site VidaeCarreira.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<\/ul>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*\u00a0Adriana Gomes Talvez por isso o medo da senioridade. As sociedades pr\u00e9-capitalistas orientavam-se essencialmente para o passado e essa orienta\u00e7\u00e3o de certa forma, garantia uma relativa estabilidade dos usos e costumes assimilados e que mantinham de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Agnes Heller*, afirma que: \u201cos filhos imitavam os pais, os netos imitavam os av\u00f3s. Os velhos &#8230; <a title=\"Ningu\u00e9m nos ensina a envelhecer. 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