{"id":790,"date":"2005-08-12T13:41:36","date_gmt":"2005-08-12T13:41:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vidaecarreira.com.br\/?p=790"},"modified":"2005-08-12T13:41:36","modified_gmt":"2005-08-12T13:41:36","slug":"como-destruir-suas-apresentacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/2005\/08\/12\/como-destruir-suas-apresentacoes\/","title":{"rendered":"COMO DESTRUIR SUAS APRESENTA\u00c7\u00d5ES"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>Eunice Mendes<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;<\/span>Voc\u00ea se lembra dos tempos de escola em que a classe inteira se reunia para o jogo de contar quantas vezes aquele professor chato pronunciava as palavras: t\u00e1?, n\u00e9?, OK?, entendeu?, ou daquela instrutora que apertava nervosamente as m\u00e3os, estalando ruidosamente os dedos e andava de um lado para o outro, deixando os alunos tontos e perdidos com tamanha agita\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Voc\u00ea deve se recordar tamb\u00e9m, daquele diretor de empresa que teve seus projetos recusados e a imagem arranhada por comunica\u00e7\u00f5es em grupo carentes de flu\u00eancia, clareza e objetividade.<br \/>\nA maioria de n\u00f3s j\u00e1 foi v\u00edtima de profissionais despreparados, que nos usaram como voyeurs de suas apresenta\u00e7\u00f5es amador\u00edsticas, marcadas pela inseguran\u00e7a, apatia e desconhecimento das t\u00e9cnicas necess\u00e1rias \u00e0 arte de falar bem em p\u00fablico.<br \/>\nAnalisemos, ent\u00e3o, alguns desses tipos de comunicadores cujos v\u00edcios de linguagem e tiques corporais transformam as reuni\u00f5es, aulas e congressos em uma amea\u00e7a para os olhos e os ouvidos:<br \/>\n<strong>O T\u00cdMIDO<\/strong><br \/>\nCostuma falar em voz baixa e tem dificuldade em administrar o medo interno. Sente-se nervoso, trope\u00e7a nas palavras; a dic\u00e7\u00e3o e a articula\u00e7\u00e3o s\u00e3o deficientes. parece pedir desculpas por estar ocupando aquele espa\u00e7o. Gagueja e, mesmo tendo se preparado e organizado, perde-se com freq\u00fc\u00eancia.<br \/>\nAs palavras s\u00e3o emitidas com dificuldade. Estar ali parece representar um grande sacrif\u00edcio. Olha para o teto, para o ch\u00e3o ou para o nada, como se possu\u00edsse uma cortina diante dos olhos.<br \/>\nseu corpo mostra sinais evidentes de nervosismo: boca seca, respira\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, transpira\u00e7\u00e3o no rosto e nas m\u00e3os, o que o faz usar len\u00e7o com freq\u00fc\u00eancia. Esconde-se atr\u00e1s da mesa e do flip-chart. Segura chaves, canetas ou livros. Seus olhos mostram-se constantemente assustados, como se tivesse medo de ser pego em flagrante.<br \/>\n<strong>O EGOC\u00caNTRICO<\/strong><br \/>\nPara ele, a plat\u00e9ia \u00e9 um espelho gigante, que reflete todas as suas qualidades. O p\u00fablico est\u00e1 ali para servi-lo. A palavra eu \u00e9 a mais importante de seu vocabul\u00e1rio. parece possuir um luminoso no corpo, onde est\u00e1 inscrito em letras garrafais: Sou o melhor. Aplica todas as regras da orat\u00f3ria para seduzir a plat\u00e9ia. Ele quer receber aplausos durante todo o tempo.<br \/>\nCriou um tipo que n\u00e3o abandona. \u00c9 o exemplo do sucesso ambulante. Seus olhos s\u00e3o cifr\u00f5es e o seu sorriso, profissional. Tudo \u00e9 milimetricamente estudado. A t\u00e9cnica est\u00e1 acima de tudo. Em suas palestras, entrevistas e congressos, o que mais lhe interessa comunicar s\u00e3o os seguintes dados:<br \/>\nquantos cursos j\u00e1 realizou;<br \/>\nquantos livros escritos por ele j\u00e1 foram vendidos;<br \/>\nquantas pessoas j\u00e1 compareceram aos seus cursos;<br \/>\nquanto dinheiro j\u00e1 ganhou e<br \/>\nquantos t\u00edtulos j\u00e1 conquistou.<br \/>\nEle \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o! Por meio dele, chega-se ao reino do dinheiro e do sucesso!<br \/>\n<strong>O ERUDITO<\/strong><br \/>\nEle fala dif\u00edcil, utilizando, por vezes, palavras em desuso. Cita freq\u00fcentemente frase de autores famosos. Mesmo percebendo que seu p\u00fablico n\u00e3o o compreende, emprega excessivamente palavras estrangeiras, g\u00edrias profissionais, linguagem t\u00e9cnica, porque essa \u00e9 uma forma de usufruto do poder, uma forma arrogante de deixar claro que s\u00f3 ele conhece o assunto. Como seu prazer prov\u00e9m da exibi\u00e7\u00e3o de sua cultura, n\u00e3o se preocupa em obter feedback da plat\u00e9ia. Suas id\u00e9ias s\u00e3o herm\u00e9ticas e v\u00eam acompanhadas de frases rebuscadas. Quase n\u00e3o utiliza recursos audiovisuais; prefere ficar sentado e empregar um tom professoral. Por julgar que sua cultura o exime de qualquer questionamento, n\u00e3o admite interrup\u00e7\u00f5es nem contesta\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<strong>O HIPNOTIZADOR<\/strong><br \/>\nExpressa-se de forma muito p a a a u u s a a d a a a &#8230;<br \/>\ncausando s o o o n o o l \u00ea \u00ea n c i a a a a &#8230; n a a p l a t \u00e9 \u00e9 i a a a&#8230;<br \/>\nQuando formula o in\u00edcio de um conceito, o p\u00fablico j\u00e1 adivinha a conclus\u00e3o.<br \/>\n<strong>O MODESTO<\/strong><br \/>\n\u00c9 aquele que sempre se posiciona de forma subserviente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 plat\u00e9ia.<br \/>\nEm minha modesta opini\u00e3o,&#8230;<br \/>\nN\u00e3o sei se vou conseguir, pois n\u00e3o tenho a cultura nem a experi\u00eancia necess\u00e1rias, mas vou tentar explicar aqui, como um escravo da profiss\u00e3o&#8230;<br \/>\nDesculpem as minhas falhas, s\u00e3o fruto da minha ignor\u00e2ncia.<br \/>\nTermino aqui porque era s\u00f3 o que eu tinha a dizer.<br \/>\nN\u00e3o estou \u00e0 altura desta seleta plat\u00e9ia.<br \/>\nPerdoem-me por ter roubado o tempo de voc\u00eas.<br \/>\n<strong>O VERBORR\u00c1GICO<\/strong><br \/>\n\u00c9 extremamente prolixo. Fala sem parar, porque considera suas id\u00e9ias as mais interessantes. Ama o som da pr\u00f3pria voz e, para ele, o sil\u00eancio \u00e9 crime. Parece uma metralhadora vocal, expressando-se para si mesmo. Quase n\u00e3o dirige o olhar para a plat\u00e9ia. Al\u00e9m disso, como quer ter absoluta certeza de que o p\u00fablico o ouviu, usa as seguintes express\u00f5es em seus finais de frase: Est\u00e3o me compreendendo? Perceberam onde quero chegar? Entenderam onde est\u00e1 o cerne da quest\u00e3o? Est\u00e1 tudo claro, n\u00e3o \u00e9? Posso continuar? Voc\u00eas t\u00eam certeza de que est\u00e3o acompanhando meu racioc\u00ednio? \u00c9 importante que voc\u00eas n\u00e3o se percam; por isso, prestem bem aten\u00e7\u00e3o&#8230;<br \/>\n<strong>O DESPREPARADO<\/strong><br \/>\nEle aceita o convite para a palestra, mas confiante na ajuda divina, n\u00e3o se prepara. Planejar \u00e9 perda de tempo e o improviso, excitante. Por isso, ele desconhece as necessidades do p\u00fablico e n\u00e3o sabe o que dizer, nem como dizer. Suas id\u00e9ias mostram-se confusas, porque lhe faltam objetividade, coer\u00eancia, flu\u00eancia e poder de s\u00edntese.<br \/>\nN\u00e3o sabe utilizar os recursos audiovisuais: suas transpar\u00eancias nunca est\u00e3o na ordem correta, al\u00e9m de serem de p\u00e9ssima qualidade (com letras manuscritas mi\u00fadas). De costas, ele tenta l\u00ea-las para a plat\u00e9ia. Seu material de trabalho (pilhas de livros e de filmes) polui todo o ambiente. Trope\u00e7a nos fios, deixa cair objetos. Sempre se tem a impress\u00e3o de que, para ele, o evento foi uma surpresa, causando intranq\u00fcilidade em quem o assiste.<br \/>\n<strong>O ESPALHAFATOSO<\/strong><br \/>\nEst\u00e1 sempre arrumando o cabelo e a roupa, contemplando as pr\u00f3prias unhas. Utiliza o vidro da janela da sala como se fosse um espelho. Seus gestos s\u00e3o largos e ininterruptos, porque buscam tornar suas palavras mais eloq\u00fcentes do que realmente s\u00e3o. Tudo nele \u00e9 excessivo: o colorido das roupas, a largura da gravata. Seus trajes gritam todo o tempo. \u00c9 praticamente imposs\u00edvel prestar aten\u00e7\u00e3o naquilo que ele diz.<br \/>\n\u00c9 pois, produtivo que se evitem essas barreiras verbais e n\u00e3o verbais para que as apresenta\u00e7\u00f5es em p\u00fablico sejam motivo de aprendizagem e prazer e n\u00e3o perda de tempo e supl\u00edcio para a plat\u00e9ia.<br \/>\n<strong>OBS.<\/strong>\u00a0Material retirado do semin\u00e1rio do MVC &#8211; Instituto M. Vianna Costacurta Estrat\u00e9gia e Humanismo &#8211; Falar em P\u00fablico: Prazer ou Amea\u00e7a?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>MVC \u2013 Instituto MVC Estrat\u00e9gia e Humanismo<\/strong><br \/>\n<strong>Tel.:<\/strong>\u00a011 3171-1645 \/SP \u2013 21 2518-2321\/RJ<br \/>\n<strong>Costacurta\u00a0<\/strong>&#8211;\u00a0<a href=\"mailto:%20costacurta@institutomvc.com.br\">costacurta@institutomvc.com.br<\/a><br \/>\n<strong>Maria Teresa\u00a0<\/strong>\u2013\u00a0<a href=\"mailto:%20mariateresa@institutomvc.com.br\">mariateresa@institutomvc.com.br<\/a><br \/>\n<strong>Visite nosso site e consulte outros temas:<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.institutomvc.com.br\/\">www.institutomvc.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eunice Mendes &#8230;Voc\u00ea se lembra dos tempos de escola em que a classe inteira se reunia para o jogo de contar quantas vezes aquele professor chato pronunciava as palavras: t\u00e1?, n\u00e9?, OK?, entendeu?, ou daquela instrutora que apertava nervosamente as m\u00e3os, estalando ruidosamente os dedos e andava de um lado para o outro, deixando os &#8230; <a title=\"COMO DESTRUIR SUAS APRESENTA\u00c7\u00d5ES\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/2005\/08\/12\/como-destruir-suas-apresentacoes\/\" aria-label=\"Leia mais sobre COMO DESTRUIR SUAS APRESENTA\u00c7\u00d5ES\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-790","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dicas"],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=790"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/790\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}