{"id":788,"date":"2005-07-12T13:40:44","date_gmt":"2005-07-12T13:40:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vidaecarreira.com.br\/?p=788"},"modified":"2005-07-12T13:40:44","modified_gmt":"2005-07-12T13:40:44","slug":"assedio-moral-um-ensaio-sobre-a-expropriacao-da-dignidade-no-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/2005\/07\/12\/assedio-moral-um-ensaio-sobre-a-expropriacao-da-dignidade-no-trabalho\/","title":{"rendered":"ASS\u00c9DIO MORAL \u2013 UM ENSAIO SOBRE A EXPROPRIA\u00c7\u00c3O  DA DIGNIDADE NO TRABALHO"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>Jos\u00e9 Roberto Montes Heloani<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;<\/span>Alguns autores costumam colocar a quest\u00e3o do ass\u00e9dio moral como essencialmente individual, como uma &#8220;pervers\u00e3o do ego&#8221; no \u00e2mbito estritamente psicopatol\u00f3gico, em que se d\u00e1 um silencioso assassinato ps\u00edquico. Entre os mais conhecidos, podemos citar aquela que popularizou o conceito, Marie France Hirigo yen, em sua primeira obra Ass\u00e9dio moral: a viol\u00eancia perversa no cotidiano, embora em sua segunda obra, Mal estar no trabalho: redefinindo o ass\u00e9dio moral , essa autora relativize a vari\u00e1vel idiossincr\u00e1tica.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;<\/span>A par disso, existe uma outra concep\u00e7\u00e3o \u00e0 qual nos filiamos que, n\u00e3o obstante mais complexa, tamb\u00e9m considera cada indiv\u00edduo como produto de uma constru\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rica.. Sujeito e produtor de inter-rela\u00e7\u00f5es que ocorrem dentro do meio -ambiente social, com suas leis e regras. Diretrizes estas que funcionam dentro de uma determinada l\u00f3gica macroecon\u00f4mica, a qual subentende e incorpora rela\u00e7\u00f5es de poder.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;<\/span>Costumamos dizer que a discuss\u00e3o sobre ass\u00e9dio moral \u00e9 nova. O fen\u00f4meno \u00e9 velho. T\u00e3o velho quanto o trabalho, isto \u00e9, quanto o homem, infelizmente&#8230;<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;<\/span>No Brasil col\u00f4nia, \u00edndios e negros foram sistematicamente assediados, ou melhor, humilhados por colonizadores que, de certa forma, julgavam-se superiores e aproveitavam-se dessa suposta superioridade militar, cultural e econ\u00f4mica para impingir- lhes sua vis\u00e3o de mundo, sua religi\u00e3o, seus costumes.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;<\/span>N\u00e3o raro esse procedimento, constrangedor sob v\u00e1rios aspectos, vinha acompanhado de um outro que hoje denominamos ass\u00e9dio sexual, ou seja, constranger-se uma pessoa do sexo oposto ou do mesmo sexo a manter qualquer tipo de pr\u00e1tica sexual sem que essa verdadeiramente o deseje.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;<\/span>De fato, relembrando as id\u00e9ias de Gilberto Freyre , em sua obra cl\u00e1ssica Casa-Grande &amp; Senzala:forma\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia brasileira sob o regime da economia patriarcal, as rela\u00e7\u00f5es entre brancos e &#8220;ra\u00e7as de cor&#8221; foram, no Brasil, condicionadas bilateralmente \u2013 de um lado pela monocultura latifundi\u00e1ria ( o cultivo de cana-de- a\u00e7\u00facar) no que diz respeito ao sistema de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica; e de outro, pelo sistema s\u00f3cio- familiar de cunho patriarcal, que se caracterizava pela escassez de mulheres brancas na col\u00f4nia. Essa monocultura a\u00e7ucareira acabou impossibilitando a exist\u00eancia de uma policultura e de uma pecu\u00e1ria que pudessem se instalar ao redor dos engenhos, suprindo- lhes, inclusive, as car\u00eancias alimentares. A cria\u00e7\u00e3o de gado deslocou-se para o sert\u00e3o, e a casa- grande adquiriu caracter\u00edsticas essencialmente feudais \u2013senhores de engenho, em sua maior parte patriarcais e devassos, que dominavam, do alto de suas moradias, escravos, lavradores e agregados, com m\u00e3o-de-ferro.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;<\/span>Sem querermos radicalizar ou extrapolar, considerando a atual sociedade brasileira nos moldes da escravocrata, pensamos que a humilha\u00e7\u00e3o no trabalho, ou o ass\u00e9dio moral, sempre existiu, historicamente falando, nas mais diferentes formas. Humilha\u00e7\u00e3o esta embasada no pr\u00f3prio sistema macroecon\u00f4mico, que, em seu processo disciplinar, favorece o aparecimento dessa forma de viol\u00eancia, em que o superior hier\u00e1rquico det\u00e9m um certo poder sobre seu subordinado.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/10.0.1.11\/vidaecarreira\/old\/public_html\/assedio_moral.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;<\/span>artigo completo<\/a><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Caso tenha dificuldade para abrir o artigo, acesse o link a seguir<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.adobe.com.br\/products\/acrobat\/readstep2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.adobe.com.br\/products\/acrobat\/readstep2.html<br \/>\n<\/a>e baixe o programa (Download\u00a0<strong>Adobe Reader<\/strong>\u00a0gr\u00e1tis)<\/p>\n<p><strong>Boa leitura<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Roberto Montes Heloani &#8230;Alguns autores costumam colocar a quest\u00e3o do ass\u00e9dio moral como essencialmente individual, como uma &#8220;pervers\u00e3o do ego&#8221; no \u00e2mbito estritamente psicopatol\u00f3gico, em que se d\u00e1 um silencioso assassinato ps\u00edquico. Entre os mais conhecidos, podemos citar aquela que popularizou o conceito, Marie France Hirigo yen, em sua primeira obra Ass\u00e9dio moral: a &#8230; <a title=\"ASS\u00c9DIO MORAL \u2013 UM ENSAIO SOBRE A EXPROPRIA\u00c7\u00c3O  DA DIGNIDADE NO TRABALHO\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/2005\/07\/12\/assedio-moral-um-ensaio-sobre-a-expropriacao-da-dignidade-no-trabalho\/\" aria-label=\"Leia mais sobre ASS\u00c9DIO MORAL \u2013 UM ENSAIO SOBRE A EXPROPRIA\u00c7\u00c3O  DA DIGNIDADE NO TRABALHO\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-788","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dicas"],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/788\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}