{"id":475,"date":"2011-03-22T16:55:10","date_gmt":"2011-03-22T19:55:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vidaecarreira.com.br\/?p=352"},"modified":"2011-03-22T16:55:10","modified_gmt":"2011-03-22T19:55:10","slug":"ninguem-nos-ensina-a-envelhecer-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/2011\/03\/22\/ninguem-nos-ensina-a-envelhecer-2\/","title":{"rendered":"Ningu\u00e9m nos ensina a envelhecer"},"content":{"rendered":"<div>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"2\" cellpadding=\"0\" width=\"524\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"520\" height=\"1657\" valign=\"top\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" title=\"envelhecer\" src=\"http:\/\/www.hsm.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/image001-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" \/><br \/>\n<em>Por ADRIANA GOMES<\/em><br \/>\nTalvez por isso o medo da senioridade. As sociedades pr\u00e9-capitalistas se orientavam essencialmente para o passado e essa orienta\u00e7\u00e3o, de certa forma, garantia uma relativa estabilidade dos usos e costumes assimilados e que mantinham de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Agnes Heller*, afirma que: \u201cos filhos imitavam os pais, os netos imitavam os av\u00f3s. Os velhos eram os que melhor conheciam as experi\u00eancias do passado e os mais capazes de resumi-los de modo \u00fatil.\u201d<br \/>\nEntretanto nossa sociedade, orientada para o futuro, traz a possibilidade de produ\u00e7\u00e3o indefinida e produz no homem a necessidade de modificar-se permanentemente, de renovar-se e transformar-se. Essa necessidade de novidade, a necessidade de transformarmos constantemente tanto a sociedade quanto a n\u00f3s mesmos, \u00e9 uma das maiores conquistas da hist\u00f3ria humana. Por\u00e9m, com a crescente aliena\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m essa conquista converte-se em seu contr\u00e1rio. A orienta\u00e7\u00e3o para o futuro termina por transformar-se em moda e consequentemente o velho perde seu valor de refer\u00eancia.<br \/>\nA vida nos consome com a constante necessidade de atualiza\u00e7\u00e3o e os di\u00e1rios \u201cdeliverys\u201d e, n\u00e3o raro, as pessoas s\u00e3o pegas de surpresa quando s\u00e3o solicitadas a fazer as contas sobre quanto tempo est\u00e3o na mesma empresa, em um determinado relacionamento ou mesmo quando contabilizam o tempo de formadas.<br \/>\nS\u00e3o surpreendidas quando, num dia qualquer, sem nenhum aviso ou at\u00e9 negando os pequenos sinais do tempo, come\u00e7am a notar alguma dificuldade para fazer a sua leitura semanal. A vis\u00e3o dando os primeiros sinais de cansa\u00e7o \u2013 geralmente negados, desculpe o trocadilho, \u00e0 primeira vista.<br \/>\nSomos \u201cadestrados\u201d desde pequenos para ingressar no mundo do trabalho. Para isso, h\u00e1 um longo condicionamento que come\u00e7a com os primeiros anos da escola: acordar cedo, assumir responsabilidades com hor\u00e1rios e prazos de entrega. Somos induzidos a acreditar que se fizermos \u201ctudo direitinho\u201d, o futuro nos brindar\u00e1 com uma carreira bem sucedida e teremos uma velhice tranquila e digna.<br \/>\nBem, a hist\u00f3ria nem sempre tem essa bela trajet\u00f3ria. N\u00e3o falarei da trajet\u00f3ria hoje, apenas do final dela. Mesmo que tenha sido assim, bonita e bem sucedida, o per\u00edodo de desligamento, a aposentadoria, regulamentada por lei e concedida por idade, tempo de servi\u00e7o ou invalidez, \u00e9 um per\u00edodo complexo e delicado, para o qual n\u00e3o h\u00e1 preparo.<br \/>\nAs pessoas ser\u00e3o obrigadas, na maioria das vezes, a lidar solitariamente com as fortes emo\u00e7\u00f5es que esse per\u00edodo traz, como a ang\u00fastia, a solid\u00e3o, a falta de sentido e prop\u00f3sito de vida, a exclus\u00e3o social e o sentimento de inutilidade.<br \/>\nSegundo pesquisa do site Vida e Carreira, realizada com 222 pessoas no per\u00edodo de Janeiro a Mar\u00e7o de 2010:<\/p>\n<div>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"3\" cellpadding=\"0\" width=\"456\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ffe6cc\">\n<div><strong>O que voc\u00ea pretende fazer a partir da sua aposentadoria?<\/strong><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"323\" bgcolor=\"#d7efff\">\u00a0<\/td>\n<td width=\"124\" bgcolor=\"#d7efff\"><strong>Response Percent<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"323\" valign=\"bottom\" bgcolor=\"#fffaf4\">Ter um neg\u00f3cio pr\u00f3prio.<\/td>\n<td bgcolor=\"#d7efff\">35,7%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"323\" valign=\"bottom\" bgcolor=\"#caeaff\"><strong>Viajar e conhecer o mundo.<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#caeaff\"><strong>47,4%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"323\" valign=\"bottom\" bgcolor=\"#fffaf4\">Adquirir uma franquia.<\/td>\n<td bgcolor=\"#d7efff\">6,6%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"323\" valign=\"bottom\" bgcolor=\"#fffaf4\">Viver na praia ou no campo.<\/td>\n<td bgcolor=\"#d7efff\">24,0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"323\" valign=\"bottom\" bgcolor=\"#fffaf4\">Continuar a vida sem maiores mudan\u00e7as.<\/td>\n<td bgcolor=\"#d7efff\">23,5%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"323\" valign=\"bottom\" bgcolor=\"#fffaf4\">Estudar no exterior por prazer.<\/td>\n<td bgcolor=\"#d7efff\">7,7%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"323\" valign=\"bottom\" bgcolor=\"#fffaf4\">Curtir meus hobbies.<\/td>\n<td bgcolor=\"#d7efff\">37,8%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"323\" valign=\"bottom\" bgcolor=\"#fffaf4\">Fazer cursos diversos.<\/td>\n<td bgcolor=\"#d7efff\">33,7%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>Os \u00edndices s\u00e3o interessantes. Como a m\u00e9dia de idade dos respondentes est\u00e1 entre os 18 e os 40 anos \u2013 at\u00e9 30 anos (27,1%) e de 31 a 40 anos (29,4%) -, a pesquisa ainda retrata uma fase jovem da vida profissional. Os sonhos de aposentadoria retratam o desejo de viajar e conhecer o mundo em primeiro lugar (47%), depois curtir hobbies (37,8%) e em seguida o desejo de n\u00e3o parar de trabalhar, ou seja, montar neg\u00f3cio pr\u00f3prio (35,7%).<br \/>\nA realidade \u00e9 que segundo o IPEA, mais de 30% dos aposentados ainda trabalham. Seis em cada dez fam\u00edlias s\u00e3o sustentadas pelos aposentados, que al\u00e9m de manter familiares que est\u00e3o em idade economicamente ativa, ainda concorrem no mercado de trabalho com jovens e adultos que tamb\u00e9m sofrem com o alto \u00edndice de desemprego.<br \/>\nO brasileiro est\u00e1 vivendo mais e melhor, com mais qualidade de vida. Aos 65 anos ainda \u00e9 saud\u00e1vel e capaz para o desempenho profissional. Por\u00e9m o preconceito e a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas e organizacionais cuidam de minar o processo de desenvolvimento profissional. O trabalho \u201cclandestino\u201d \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o para que esse contingente populacional sobreviva dignamente emocional e fisicamente.<br \/>\nO trabalho constitui o homem. Passamos mais tempo na rela\u00e7\u00e3o de trabalho do que em qualquer outra rela\u00e7\u00e3o. Crescemos ouvindo que \u00e9 preciso trabalhar. Mas o que se faz quando \u00e9 suprimido o direito de trabalhar mesmo que ainda se tenha sa\u00fade f\u00edsica e mental.\u00a0O que fazer quando ainda h\u00e1 vontade de contribuir socialmente atrav\u00e9s do trabalho? N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de fazer um trabalho volunt\u00e1rio, mas a remunera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um est\u00edmulo, sen\u00e3o, em muitos casos, uma necessidade.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 um caso simples de se resolver, entretanto. Em breve n\u00e3o seremos mais um pa\u00eds de jovens, a nossa pir\u00e2mide et\u00e1ria est\u00e1 diferente de 30 anos atr\u00e1s e isso faz com que precisemos pensar sobre essa quest\u00e3o hoje. \u00a0\u00c9 uma miopia social tratar a pessoa de idade como um inv\u00e1lido incapaz, como se o seu conhecimento acumulado fosse desprez\u00edvel.<br \/>\nEstima-se que, apenas entre 1980 e 2000, deixaram de nascer aproximadamente 35 milh\u00f5es de crian\u00e7as no Brasil. Pelo menos outros 35 milh\u00f5es nasceriam entre 2000 e 2010 se os n\u00edveis de fecundidade de 1980 tivessem permanecido constantes desde ent\u00e3o. Por sua vez, o contingente de idosos brasileiros, aqui entendido como a popula\u00e7\u00e3o acima de 65 anos, aumentou em torno de 3,7 milh\u00f5es entre 1980 e 2000.<br \/>\nH\u00e1 muito que fazer. Aos profissionais voltados \u00e0s \u00e1reas de RH nas organiza\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m aos orientadores de carreira e mesmo aos profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um grande mercado abrindo as portas. Aqueles que tiverem vis\u00e3o e perceberem as possibilidades e oportunidades relacionadas que se preparem, pois h\u00e1 muito por ser feito junto aos profissionais seniores.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por ADRIANA GOMES Talvez por isso o medo da senioridade. As sociedades pr\u00e9-capitalistas se orientavam essencialmente para o passado e essa orienta\u00e7\u00e3o, de certa forma, garantia uma relativa estabilidade dos usos e costumes assimilados e que mantinham de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Agnes Heller*, afirma que: \u201cos filhos imitavam os pais, os netos imitavam os av\u00f3s. &#8230; <a title=\"Ningu\u00e9m nos ensina a envelhecer\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/2011\/03\/22\/ninguem-nos-ensina-a-envelhecer-2\/\" aria-label=\"Leia mais sobre Ningu\u00e9m nos ensina a envelhecer\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[44,98,211,385,397,434,454,464,530,542,551,593,629],"class_list":["post-475","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mercado-de-trabalho","tag-adriana-gomes","tag-carreira","tag-educacao","tag-mercado-de-trabalho-2","tag-mudanca","tag-oportunidades","tag-perspectivas-profissionais","tag-politicas-publicas","tag-rh","tag-saude","tag-senioridade","tag-trabalho","tag-vida-e-carreira"],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/475\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}