{"id":1260,"date":"2012-02-27T20:19:53","date_gmt":"2012-02-27T20:19:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vidaecarreira.com.br\/?p=1260"},"modified":"2012-02-27T20:19:53","modified_gmt":"2012-02-27T20:19:53","slug":"quanto-tempo-as-maes-devem-tirar-de-licenca-maternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/2012\/02\/27\/quanto-tempo-as-maes-devem-tirar-de-licenca-maternidade\/","title":{"rendered":"Quanto tempo as m\u00e3es devem tirar de licen\u00e7a-maternidade?"},"content":{"rendered":"<h3>Estudo mostra que curto per\u00edodo \u00e9 prejudicial para a sa\u00fade do beb\u00ea. Por Fernanda Dias<\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vidaecarreira.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/j0309360.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-1261\" title=\"j0309360\" src=\"http:\/\/www.vidaecarreira.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/j0309360-300x202.jpg\" alt=\"\" width=\"371\" height=\"232\" \/><\/a>A lei brasileira garante: toda mulher tem direito a 120 dias de licen\u00e7a-maternidade, prazo que pode ser estendido por mais 60 dias dependendo do empregador. Mas, esse tempo \u00e9 o ideal? Embora o benef\u00edcio seja reconhecido pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) desde 1921, o per\u00edodo de afastamento varia de pa\u00eds para pa\u00eds. E a discrep\u00e2ncia \u00e9 grande: enquanto no Bahrein, a mulher tem direito a ficar 45 dias em casa, na Dinamarca, ela pode passar at\u00e9 52 semanas (um ano e um m\u00eas) sem trabalhar.<br \/>\nPesquisadores j\u00e1 demonstraram que os curtos per\u00edodos de conv\u00edvio entre m\u00e3es e seus beb\u00eas provocam atraso no desenvolvimento, doen\u00e7as e at\u00e9 mesmo a morte dos pequenos. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, examinou os resultados da escalada de licen\u00e7as-remuneradas em 16 pa\u00edses europeus de 1969 at\u00e9 1994: em m\u00e9dia, o tempo passou de 10 para 26 semanas. Segundo o economista Christopher Ruhm,\u00a0 autor do estudo, foi constatado que um incremento de 10 semanas nas licen\u00e7as-remuneradas pode reduzir as taxas de mortalidade infantil entre 2,5% e 3,4%. Algumas evid\u00eancias apontam, no entanto, que as aus\u00eancias muito longas do trabalho causam uma desvantagem econ\u00f4mica e profissional para as mulheres, e na melhor das hip\u00f3teses, um efeito neutro sobre as crian\u00e7as.<br \/>\nSegundo o obstetra da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia do Rio de Janeiro, Ant\u00f4nio Braga, a falta da m\u00e3e influencia na sa\u00fade da crian\u00e7a notadamente pela interrup\u00e7\u00e3o do aleitamento materno: \u201cA amamenta\u00e7\u00e3o regular e exclusiva at\u00e9 os seis meses reduz 17 vezes as chances de o rec\u00e9m-nascido contrair pneumonia, cinco vezes a possibilidade de anemia e duas vezes a amea\u00e7a de crises de diarreia\u201d.<br \/>\nBraga ressalta tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do aleitamento materno na forma\u00e7\u00e3o do aparelho ps\u00edquico. De acordo com o especialista, os seis primeiros meses de vida s\u00e3o fundamentais para que o v\u00ednculo entre m\u00e3e e filho seja aprofundado e as atividades familiares estejam reorganizadas e adaptadas \u00e0 chegada do beb\u00ea: \u201cPode parecer ut\u00f3pico, retr\u00f3grado e at\u00e9 machista, mas os filhos que gozaram da presen\u00e7a da m\u00e3e por mais tempo na inf\u00e2ncia precoce tendem a desenvolver habilidades afetivas melhor consolidadas\u201d.<br \/>\nA legisla\u00e7\u00e3o brasileira recomenda ainda que a gestante se afaste do trabalho a partir da 36\u00aa semana, o que segundo Braga, quase nunca \u00e9 respeitado pelas pacientes, que preferem postergar a licen\u00e7a para o p\u00f3s-parto para terem mais tempo com o beb\u00ea. Ele reconhece, no entanto, que a press\u00e3o do mercado pode fazer com que a mulher acabe interrompendo o aleitamento exclusivo por compromissos profissionais: \u201cA lei confere \u00e0s mulheres dois intervalos de 30 minutos por dia para amamentar, mas n\u00e3o obriga as empresas a fornecer creche. A m\u00e3e pode retirar o leite antes de ir para o trabalho, mas ser\u00e1 que o respons\u00e1vel por dar o alimento ao beb\u00ea n\u00e3o vai preferir fornecer suplemento l\u00e1cteo, que sacia a fome mais rapidamente e por mais tempo? Uma vez introduzidos esses alimentos, ir\u00e1 ainda o rec\u00e9m-nascido aceitar o leite materno com a mesma facilidade? Diante de tantos empecilhos, de foro legal e log\u00edstico, o que infelizmente vemos \u00e9 a interrup\u00e7\u00e3o precoce do aleitamento materno exclusivo\u201d.<br \/>\nO retorno ao trabalho tamb\u00e9m costuma ser uma mistura de sensa\u00e7\u00f5es para as mulheres: um al\u00edvio por poder conviver com mais pessoas e por voltar a ter atividades fora do lar, e um sentimento de culpa por estar longe da crian\u00e7a. A coordenadora do N\u00facleo de Estudos e Neg\u00f3cios em Desenvolvimento de Pessoas da ESPM, Adriana Gomes, acredita que as mulheres que adiam a maternidade, privilegiando uma estabilidade financeira e emocional, acabam ficando menos ansiosas para retomar seu posto do que as mais jovens. \u201cO trabalho tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o de cultura, de valores da sociedade. Antes de pensarmos nas diferen\u00e7as entre os pa\u00edses no que diz respeito ao tempo de licen\u00e7a, devemos observar de que maneira determinada sociedade valoriza a maternidade e o trabalho\u201d.<br \/>\nAdriana sugere que, como forma de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 volta ao emprego, as empresas passem a pensar na flexibilidade de hor\u00e1rios, como alguns dias de trabalho em home office para cargos que possibilitem esse tipo de benef\u00edcio. \u201cO relacionamento com o filho \u00e9 constru\u00eddo o tempo todo. Passada a licen\u00e7a, a mulher n\u00e3o precisa estar 24 horas por dia ao lado da crian\u00e7a. At\u00e9 porque ela n\u00e3o s\u00f3 gosta como precisa do trabalho para sustentar ou complementar a renda da fam\u00edlia\u201d.<br \/>\nAssim como Adriana, Braga tamb\u00e9m sugere que a mulher crie oportunidades de conviv\u00eancia produtiva, valendo-se do princ\u00edpio da qualidade em vez da quantidade. \u201cAo passar o dia todo fora de casa, a m\u00e3e deve reservar um tempo exclusivo para ficar com seu filho. Esse per\u00edodo, mesmo que curto, deve ser respeitado pois contribui para diminuir a sensa\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia que o filho sente da m\u00e3e, assim como dilui o sentimento de culpa da mulher por sua aus\u00eancia\u201d.<br \/>\nQuer saber o tempo de licen\u00e7a maternidade em outros pa\u00edses? Clique aqui (em ingl\u00eas)<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo mostra que curto per\u00edodo \u00e9 prejudicial para a sa\u00fade do beb\u00ea. Por Fernanda Dias A lei brasileira garante: toda mulher tem direito a 120 dias de licen\u00e7a-maternidade, prazo que pode ser estendido por mais 60 dias dependendo do empregador. Mas, esse tempo \u00e9 o ideal? Embora o benef\u00edcio seja reconhecido pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do &#8230; <a title=\"Quanto tempo as m\u00e3es devem tirar de licen\u00e7a-maternidade?\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/2012\/02\/27\/quanto-tempo-as-maes-devem-tirar-de-licenca-maternidade\/\" aria-label=\"Leia mais sobre Quanto tempo as m\u00e3es devem tirar de licen\u00e7a-maternidade?\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,20,25,36],"tags":[],"class_list":["post-1260","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-carreira-e-maternidade","category-maternidade-e-trabalho","category-mulher-e-carreira","category-tendencias"],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1260\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vidaecarreira.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}